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quinta-feira, 29 de março de 2018

O sacrifício anual e místico da Páscoa


O sacrifício anual e místico da Páscoa










Estamos nos aproximando da Páscoa. O sacrifício pascal é em geral até compreendido, mas em muito confundido com mero feriado e dia de descanso profano, ou com chocolates. Para o Católico, lembrando o Código de Direito Canônico, é um domingo de dia de festa, conforme Cânone 1246 a 1248, e assim tem missa obrigatória. Demais igrejas cristãs também comemoram e fazem reuniões ou cultos. Fato é que a Páscoa do ponto de vista místico nos faz refletir ainda mais, e participando ou não de ritos exteriores, vivemos na natureza e interiormente uma grande transformação pelo sacrifício anual do Cristo Cósmico. Vejamos em seguida.







Em cada ano vemos o sacrifício de Cristo, e assim ele penetra na Terra e renova as coisas. Antes de Cristo o caminho do mistério era reservado a poucos, mas com sua vinda, ele ficou aberto para quem quiser aprender. A iniciação ficou acessível. Mesmo com a sedução de espíritos lucíferos em contrário, se pode encontrar o caminho de Cristo através do amor, superando exigências antigas ligadas a lei, e apenas a lei. Com a graça se percebe que a salvação dos perdidos se faz possível. Assim Cristo entra no coração da Terra e proclama de certo modo que a morte não existe. Isso nos leva a um novo estado de consciência, e mesmo sem ritos exteriores, podemos perceber que existe o Cristo Interno. Para isso temos de superar o Ego, o antigo inimigo que nos afasta de aceitar a espiritualidade e esse nível elevado de consciência, que leva a união com o Pai Celestial. Na crucifixão se diz que a sigla INRI se relaciona ao rei dos judeus. Mas mais, misticamente vemos que se refere aos 4 elementos, em hebraico Iam, água; Nour, fogo; Ruach, ar e Iabeshab, terra. Os elementos têm significado espiritual. Os dois ladrões são a mente e o coração que não buscavam a espiritualidade. A grande pedra tirada de seu sepulcro simboliza a pedra do desejo. Maria Madalena representa as emoções inferiores e Maria mãe as superiores. O sepulcro é a glândula pineal. A elevação da força vital até a glândula pineal. Por fim, Jesus aparece aos discípulos ressuscitado, na montanha. Montanha representa um elevado nível de consciência.








Conclui-se que o importante desse feriado de Páscoa é que busquemos a paz, no espírito de Cristo tenhamos o amor ao próximo, que perdoemos e ainda busquemos a sabedoria do Espírito Santo. Cristo reparou a humanidade com seu sacrifício, ou reparou Adão, e Maria reparou Eva. Possamos também trilhar o caminho da reintegração e nos tornarmos novos homens, pessoas renovadas e adentrando no Reino Celestial. Possamos ter conosco o Cristo Interno e superemos o ego inimigo, trilhando o caminho do amor e do serviço desinteressado de caridade. Sacrifiquemos os animais internos de desejos egoístas e trabalhemos em tudo para o Eterno Deus.




Figuras 2 e 3 de Vicente Velado.

domingo, 29 de outubro de 2017

SOBRE OS CACHORRINHOS, PÃO, MIGALHAS E MULHER CANANEIA, DE ACORDO COM A CABALA


SOBRE OS CACHORRINHOS, PÃO, MIGALHAS E MULHER CANANEIA, DE ACORDO COM A CABALA 



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“Levantando-se dali, foi para as regiões de Tiro e Sidom. E entrando numa casa, não queria que ninguém o soubesse, mas não pode ocultar-se; porque logo, certa mulher, cuja filha estava possessa de um espírito imundo, ouvindo falar dele, veio e prostrou-se-lhe aos pés; (ora, a mulher era grega, de origem siro-fenícia) e rogava-lhe que expulsasse de sua filha o demônio. Respondeu-lhes Jesus: Deixa que primeiro se fartem os filhos; porque não é bom tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos”. (Marcos 7:24-27)



“Ora, partindo Jesus dali, retirou-se para as regiões de Tiro e Sidom. E eis que uma mulher cananéia, provinda daquelas cercania, clamava, dizendo: Senhor, Filho de Davi, tem compaixão de mim, que minha filha está horrivelmente endemoninhada. Contudo ele não lhe respondeu palavra. Chegando-se, pois, a ele os seus discípulos, rogavam-lhe, dizendo: Despede-a, porque vem clamando atrás de nós. Respondeu-lhes ele: Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel. Então veio ela e, adorando-o, disse: Senhor, socorre-me. Ele, porém, respondeu: Não é bom tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos”. (Mat. 15:21-26)







 

Nos dias atuais cada vez as pessoas procuram uma roupa ideológica ou religiosa para vestir, ou mesmo certo nacionalismo ou regionalismo. Geram assim divisões e divisões, e uma verdadeira Babilônia de confusão. Por outro lado, esquecem do sentido mais profundo dos textos sagrados, defendendo por outro lado o seu ego ou meu inferior. Esse sistema controvertido que seguem nada mais é do que Yeshua chamou de “cachorrinhos”, para os quais é mais difícil buscar a presença do Cristo. Por isso de se chamar a porção pequena de luz que recebem de “migalhas”. Isso se referia muito aos chamados pagãos e demais povos, “nações”, que também recebem a luz, mas um pouco menos diretamente ou intensamente que dos filhos de Israel, ou daqueles que “vão e veem” o Criador. Também se refere a que na cabala se chama de exclusivo desejo de receber.

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Então, o fato tratado é o de filha endemoninhada de mulher cananeia que procura o rav Yeshua, operando o milagre da expulsão do espírito. A mulher representa então a força emocional que é usada casualmente, e a filha é símbolo do produto desse uso mal feito da emoção. O alimento espiritual superior não serve para funções inferiores, estas representadas pelos cães. Também se pode pensar nesses cães como os eus inferiores ou egos, que mostram o yetzer hará, ou a alma animal, lugar das klipot, ou demônios. O messias purificou essa natureza emocional e curou os seus resultados. Também o pão significaria um ensino mais profundo aos discípulos, ou mesmo a uma eucaristia, e a mulher não estava iniciada nesse nível, sendo essa a representação das migalhas.


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De certo modo o desejo de receber ou o egoísmo ligado aos desejos mais básicos um dia darão lugar a desejos espirituais de um desejo de doar, ou com a finalidade de doar. Assim o egoísmo ou cão dará lugar a um pão, que representa o corpo de Cristo ou Novo Adão, Adam HaRishon, onde somos todos como um. E passamos de um nível de Malkut, para zeir ampim e finalmente chegaremos ao nível de Biná, em se lembrando as esferas da árvore da vida cabalística. Esse Biná nada mais que significa que Éden ou paraíso, ou o Reino dos Céus. E assim vemos o Rosto de Deus, no Cristo que vive em nós, interno e eterno, para essa união mística, bodas alquímicas entre o eu inferior, que são os cachorrinhos, com o pão do céu, maná da eucaristia de Cristo, e com o eu superior, para assim comungarmos dessa ceia santa. E somos livres dos demônios ou klipot e assim comungamos como os justos, não mais estando sujeitos a yetzer hará (alma animal) dos cachorrinhos de nossos eus inferiores e personas que afastam a legítima espiritualidade. Por fim, poderemos amar ao próximo. E não mais existirá religiosidade que separa as pessoas, e nem nações, mas todos estão unidos em um só propósito, que é a espiritualidade.



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sábado, 14 de outubro de 2017


Sobre o princípio das dores, fim do mundo e a ceia santa, do ponto de vista esotérico





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“Ora, Jesus, tendo saído do templo, ia-se retirando, quando se aproximaram dele os seus discípulos, para lhe mostrarem os edifícios do templo. Mas ele lhes disse: Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não se deixará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada. E estando ele sentado no Monte das Oliveiras, chegaram-se a ele os seus discípulos em particular, dizendo: Declara-nos quando serão essas coisas, e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo”. (Mat. 24: 1-3)



“E ouvireis falar de guerras e rumores de guerras; olhai não vos perturbeis; porque forçoso é que assim aconteça; mas ainda não é o fim. Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino; e haverá fomes e terremotos em vários lugares. Mas todas essas coisas são o princípio das dores. (Mat. 24:6-8)



“Enquanto comiam, Jesus tomou o pão e, abençoando-o, o partiu e o deu aos discípulos, dizendo: Tomai, comei; isto é o meu corpo. E tomando um cálice, rendeu graças e deu-lho, dizendo: Bebei dele todos; pois isto é o meu sangue, o sangue do pacto, o qual é derramado por muitos para remissão dos pecados”. (Mat. 26: 26-28)













Passamos por um momento espiritual. Isso nos lembra em contraste com o nosso apego material, e assim nos vêm a memória o Cristo, que nos mostra esse caminho espiritual. Isso não se faz sem alguma dificuldade inicial, e assim o fim dos tempos. Tal fim não é necessariamente externo, mas mais interno. É um certo batismo verdadeiro e profundo. Também uma eucaristia espiritual e mística que nos une ao Cristo Cósmico. Essa lição da ceia é ainda alquímica, como lembra Corinne Heline, em seus comentários esotéricos a Bíblia. Também John Scott nos leva a pensar no que é esse tal fim do mundo. E o que vem a ser esse Monte das Oliveiras, em sentido místico? E qual será a pedra sobre pedra que não estará derribada? Será que o Divino agirá com alguma “maldade” extinguindo toda a possibilidade de existência humana? Será que guerras, catástrofes naturais e perseguições transformam o mundo em algo melhor, ou o levam para a espiritualidade? 

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Há entre muitos teólogos uma certa escatologia, defendida em sentido fatalista e pior, materialista. De modo algum a doutrina bíblica é meramente moralista e material, e mesmo não se pode nem relacionar fatos que ocorreram na noite dos tempos, com a nossa realidade presente. Claro que se esperar e marcar datas para o fim do mundo e para a segunda vinda de Cristo, bem como uma série de invenções, se atacando igrejas, governos e países é igualmente contraditória. Essas invenções e interpretações limitadas nos deixam perplexos, e cada vez mais pessoas temem ou mesmo desejam um fim, não evoluindo ou se transformando. O Cristo veio para nos transformar, e nada teremos de temer. Para isso um ponto de vista místico e interno nos dá melhor resposta a dita “escatologia”, que na verdade é o retorno para o Pai, e nesse sentido algo bom, mas que exige transformação de natureza e o que se chama em Mateus de “princípio das dores”.






Como vimos nesse estudo, a linguagem da Bíblia é uma linguagem das raízes, simbólica e se referindo a mundo espiritual. Para isso, nos vêm ensinar a cabala, bem como a gnose e a mística. E meras guerras, catástrofes naturais e perseguições não melhoraram a humanidade. O fator deve ser o amor ao próximo, e nesse estaria toda a lei, bem como a adesão ao Criador. Nesse sentido que o ensinado pelo Yeshua (Jesus) em Mateus, fala desses símbolos de transformação espiritual, e atemporal. O Monte das Oliveiras simboliza um elevado plano espiritual. O fim do mundo ocorrerá tanto individualmente, quanto cosmicamente, conforme Max Heindel, e o fim do mundo é o fim da materialidade, conforme Scott. E alguém se pergunta se acabaria tudo? Não ficará pedra sobre pedra. Mas ficará a alma, ou melhor, aquela parte espiritual que se desenvolve, não se confundindo com o corpo astral inferior ou de desejos, estes últimos presentes em algumas sessões espíritas. A fome descrita significa a fome espiritual, e os terremotos são os tremores da saída do espírito do corpo, em abertura de vórtices. As guerras são contra os eus, os egos e personas que nos afastam do caminho de transformação. As nações são os desejos e distrações que nos afastam do Pai Celestial.



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Sobre a ceia, esta além do mistério da eucaristia, guarda ainda um significado esotérico adicional. John Scott, em se referindo ao espírito de Cristo que nos sustenta a vida, e que penetrou na terra após os gólgota, além de ter um cuidado especial com os planetas de nosso sistema solar, bem como simbolizando o vinho a Força Vital. A casa do Pai seria um estado elevado disso. Também Corinne Heline lembra de um sentido alquímico, onde o vinho representa o princípio masculino, e o pão representa o princípio feminino. Cristo ensinava seus discípulos a construírem a pedra filosofal dentro de si mesmos. Desse modo é errôneo quem vê a lei hermética do gênero como marca apenas de outras vertentes, excluindo a cristã. A castidade é uma chave cristã, também. E o lava pés é a limpeza espiritual dos chacras, que muitas vezes sofreram com sentimentos negativos e mesmo a influência do mundo. Um sinal da humildade do iniciado é o lava pés.











Fontes



- Sagrada Bíblia, versão João Ferreira de Almeida, em ebook Microsoft Reader



- Interpretação Esotérica do Evangelho de São Mateus. Por Roberto Gomes da Costa. Fraternidade Rosacruz Max Heindel.



- Estudos Gnósticos sobre a Bíblia Hebraica. Editorial Mória.